Nascido em: 8 de maio de 1911 em Hazlehurst, MS.
Falecido em: 16 de agosto de 1938 em Greenwood, MS.
Se o blues tem uma figura mĂstica, certamente a mais famosa e celebrada na histĂłria do blues Ă© outorgada Ă Robert Johnson. É claro que sua lenda Ă© fortificada pelo fato de que Johnson tambĂ©m deixou para trás um legado pequeno de gravações que sĂŁo consideradas um apelo emocional por excelĂŞncia. Essas gravações ("Love in Vain", "Crossroads", "Sweet Home Chicago", "Stop Breaking Down", "Malted Milk" e outras) nĂŁo incorporaram a alma do blues, mas foram extensamente aproveitadas por mĂşsicos de rock como Rolling Stones, Steve Miller, Led Zeppelin e Eric Clapton. Robert Johnson continua como uma força potente a ser reconhecida. Como cantor, como compositor e como guitarrista, ele produziu alguns dos melhores gĂŞneros musicais. Assustado, aterrorizado e dirigido por demĂ´nios, um talento e um gĂŞnio atormentado morreu com pouca idade. Tudo isso somado fez com que fosse considerado uma mitologia, que deveria ser investigado e sua biografia escrita por algum romântico de imaginação fĂ©rtil.
A lenda de sua vida começa assim: Robert Johnson era um jovem negro que morava numa plantação rural do Mississipi. PossuĂa um grande Ămpeto de se tornar um grande mĂşsico de blues, portanto foi instruĂdo a pegar sua guitarra e caminhar atĂ© uma plantação em Dockerys Ă meia-noite. Lá encontrou um homem alto e negro (o demĂ´nio) que tomou sua guitarra, afinou-a e devolveu-a. Antes de completar um ano, em troca de sua alma, Robert Johnson tornou-se o rei do Delta blues. Cantava, era capaz de tocar e criar os melhores blues que alguĂ©m jamais ouvira antes.
Assim como o sucesso veio atravĂ©s de apresentações ao vivo e gravações fonográficas, Johnson continuou atormentado, constantemente assombrado por pesadelos que continham cĂŁes do inferno em seu caminho. Sua dor e angĂşstia mental encontravam a paz e tranquilidade quando escrevia ou apresentava suas canções. Logo quando foi trazido ao Carnegie Hall para se apresentar no primeiro concerto Spiritual to Swing, a notĂcia veio rápido do Mississipi: Robert Johnson estava morto, envenenado por uma namorada ciumenta. Aqueles que estiveram lá afirmam que o viram espumando pela boca, rastejando em quatro patas, chiando e babando como um cĂŁo raivoso. Suas Ăşltimas palavras foram: "Eu rezo para que a minha redenção venha e que me traga de volta do meu tĂşmulo". Ele foi enterrado num caixĂŁo de pinho, numa cova nĂŁo marcada, para que seu acordo com o demĂ´nio nĂŁo o trouxesse mais Ă vida.
Quando ainda adolescente e trabalhando nas plantações, Johnson brincava com a gaita um pouco, mas nĂŁo seguia nenhum gĂŞnero musical especĂfico. Todas as tentativas de se juntar aos grandes titĂŁs da Ă©poca, como Son House, Charley Patton e Willie Brown, surtiram seus efeitos. Son House disse: "NĂłs estávamos tocando em uma festa no sábado, e havia sempre aquele pequeno menino por perto. Ele era Robert Johnson. Começou Ă tocar sua gaita, e devo dizer que era muito bom nela, mas ele queria tocar guitarra. Ele se sentou aos nossos pĂ©s e tocou durante os intervalos de uma forma tal que era difĂcil de acreditar". Ele se casou ainda jovem e deixou Robinsonville, usando Hazelhurst como base, determinado Ă se tornar um profissional de tempo integral, depois do falecimento de sua primeira esposa, que morreu dando Ă luz.
Como um músico itinerante, tocando em jantares no campo assim como nas ruas, sua platéia o considerava alguém que podia tocar e cantar tudo que fosse ligado ao blues e até ao pop.
Nos anos subsequentes, depois de várias gravações, o nome de Johnson foi inserido em vários utensĂlios de merchandising, como pĂ´steres, papĂ©is de carta, bonĂ©s, etc., todos usando sua assinatura (extraĂda do seu segundo casamento). Tudo era comercializado e vendido, fazendo dele um mito do blues tendo sua imagem reproduzida para render lucros, muito mais tempo do que qualquer bluesman contemporâneo, vivo ou morto. Apesar de que o homem e seus contemporâneos nunca poderiam imaginar em milhares de anos que a mĂşsica e a lenda viveriam juntas para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário