segunda-feira, 21 de abril de 2008

Robert Johnson

Nascido em: 8 de maio de 1911 em Hazlehurst, MS.
Falecido em: 16 de agosto de 1938 em Greenwood, MS.

Se o blues tem uma figura mística, certamente a mais famosa e celebrada na história do blues é outorgada à Robert Johnson. É claro que sua lenda é fortificada pelo fato de que Johnson também deixou para trás um legado pequeno de gravações que são consideradas um apelo emocional por excelência. Essas gravações ("Love in Vain", "Crossroads", "Sweet Home Chicago", "Stop Breaking Down", "Malted Milk" e outras) não incorporaram a alma do blues, mas foram extensamente aproveitadas por músicos de rock como Rolling Stones, Steve Miller, Led Zeppelin e Eric Clapton. Robert Johnson continua como uma força potente a ser reconhecida. Como cantor, como compositor e como guitarrista, ele produziu alguns dos melhores gêneros musicais. Assustado, aterrorizado e dirigido por demônios, um talento e um gênio atormentado morreu com pouca idade. Tudo isso somado fez com que fosse considerado uma mitologia, que deveria ser investigado e sua biografia escrita por algum romântico de imaginação fértil.

A lenda de sua vida começa assim: Robert Johnson era um jovem negro que morava numa plantação rural do Mississipi. Possuía um grande ímpeto de se tornar um grande músico de blues, portanto foi instruído a pegar sua guitarra e caminhar até uma plantação em Dockerys à meia-noite. Lá encontrou um homem alto e negro (o demônio) que tomou sua guitarra, afinou-a e devolveu-a. Antes de completar um ano, em troca de sua alma, Robert Johnson tornou-se o rei do Delta blues. Cantava, era capaz de tocar e criar os melhores blues que alguém jamais ouvira antes.

Assim como o sucesso veio através de apresentações ao vivo e gravações fonográficas, Johnson continuou atormentado, constantemente assombrado por pesadelos que continham cães do inferno em seu caminho. Sua dor e angústia mental encontravam a paz e tranquilidade quando escrevia ou apresentava suas canções. Logo quando foi trazido ao Carnegie Hall para se apresentar no primeiro concerto Spiritual to Swing, a notícia veio rápido do Mississipi: Robert Johnson estava morto, envenenado por uma namorada ciumenta. Aqueles que estiveram lá afirmam que o viram espumando pela boca, rastejando em quatro patas, chiando e babando como um cão raivoso. Suas últimas palavras foram: "Eu rezo para que a minha redenção venha e que me traga de volta do meu túmulo". Ele foi enterrado num caixão de pinho, numa cova não marcada, para que seu acordo com o demônio não o trouxesse mais à vida.

Quando ainda adolescente e trabalhando nas plantações, Johnson brincava com a gaita um pouco, mas não seguia nenhum gênero musical específico. Todas as tentativas de se juntar aos grandes titãs da época, como Son House, Charley Patton e Willie Brown, surtiram seus efeitos. Son House disse: "Nós estávamos tocando em uma festa no sábado, e havia sempre aquele pequeno menino por perto. Ele era Robert Johnson. Começou à tocar sua gaita, e devo dizer que era muito bom nela, mas ele queria tocar guitarra. Ele se sentou aos nossos pés e tocou durante os intervalos de uma forma tal que era difícil de acreditar". Ele se casou ainda jovem e deixou Robinsonville, usando Hazelhurst como base, determinado à se tornar um profissional de tempo integral, depois do falecimento de sua primeira esposa, que morreu dando à luz.

Como um músico itinerante, tocando em jantares no campo assim como nas ruas, sua platéia o considerava alguém que podia tocar e cantar tudo que fosse ligado ao blues e até ao pop.

Nos anos subsequentes, depois de várias gravações, o nome de Johnson foi inserido em vários utensílios de merchandising, como pôsteres, papéis de carta, bonés, etc., todos usando sua assinatura (extraída do seu segundo casamento). Tudo era comercializado e vendido, fazendo dele um mito do blues tendo sua imagem reproduzida para render lucros, muito mais tempo do que qualquer bluesman contemporâneo, vivo ou morto. Apesar de que o homem e seus contemporâneos nunca poderiam imaginar em milhares de anos que a música e a lenda viveriam juntas para sempre.

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