sexta-feira, 4 de abril de 2008

A própria personificação do conceito de mito

Elvis Aaron Presley (08/01/35 - 16/08/77), também conhecido com Elvis Presley, ou simplesmente Elvis, ou simplesmente nada: ficou tão famoso que em 1975 chegou a lançar um disco só com a foto dele na capa e o título do disco, o nome Elvis ao lado ficaria redundante demais.

O jovem irrequieto e indomável com a sua guitarra amarrada no pescoço com uma tira de pano, um megaevento ambulante. Mais do que um mito, era a própria personificação do conceito de mito. Dono de um perfil de efígie de moeda, diziam que mesmo se ele não soubesse cantar as mulheres ficariam loucas com o seu mix de Marlon Brando, Tony Curtis e James Dean. Mas além das asas da beleza física, tinha o veneno de uma voz de beleza e extensão impressionantes, que ia tranqüilamente de barítono a tenor sem farrapar na ressonância, e que, segundo todos os críticos, foi ficando cada vez melhor até os últimos dias de sua carreira. Isso pra não falar do carisma no palco com um estilo muito próprio de interpretar, para dizer o mínimo, que até hoje é imitado e o transformou numa caricatura de si mesmo, mas que varreu como um tsunami a América conservadora dos anos 50. Elvis, "the Pelvis", com a sua interpretação de "Hound Dog" transmitida na televisão em 1956, substituiu nos jornais as manchetes da ameaça comunista.

Ninguém poderia imaginar isso em 1945, quando um menino tímido com cara de bebê chorão tirou em segundo lugar em um concurso de canto numa feira no interior do Mississipi. Seria interessante saber por onde anda o primeiro lugar, é provável que ainda esteja perplexo com o fato que o segundo lugar tenha gravado 101 compactos, 77 LPs e tenha vendido mais de dois bilhões de discos no mundo inteiro, e que continue vendendo trinta anos depois de morto.

Rios de tinta já correram e florestas inteiras de papel já forram derrubadas para catalogar todos os recordes e curiosidades sobre Elvis, e qualquer clic no Google vai desencadear uma avalanche de informações impossível de digerir de uma só vez. Mas a principal delas é que ele foi o detonador da explosão da última grande revolução cultural do Século XX, o rock´n´roll.

O rock de Bill Halley era muito branco, mais country. O rock de Little Richard era muito negro, mais rhythm´n´blues. O rock de Pat Boone era muito comportado, mais gospel. Elvis foi a antena que captou a sensualidade selvagem do rhythm´n´blues dos negros, o pungente berreiro country dos brancos e a harmonia saltitante do gospel de negros e brancos. Botou tudo no liquidificador e jogou na cara da conservadora upper class americana dos anos 50 uma atitude de rebeldia que iria servir como referência para a juventude de classe média pós-guerra no mundo inteiro. Vale salientar que o que existia de mais rebelde musicalmente na época era o Rat Pack de Sinatra, pelo menos em termos de divulgação de massa.

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