Antes de se tornar o maior artista do planeta, Elvis Presley foi um adolescente pobre de Memphis. E, durante um dos perÃodos mais importantes de sua juventude, uma famÃlia judia viveu literalmente no andar de cima de sua casa — e acabou se tornando parte importante de sua história.
No andar de cima vivia uma famÃlia judia: o rabino Alfred Fruchter, sua esposa, Jeannette, e seu filho Harold Fruchter.
Era uma casa simples, em uma região conhecida como The Pinch, um bairro de Memphis que reunia diversas comunidades de imigrantes e onde também havia uma presença judaica significativa. Os Presley e os Fruchter pagavam aluguel à mesma proprietária, conhecida como Mrs. Dubrovner, esposa de um açougueiro kosher.
Foi ali, entre dois apartamentos, que começou uma amizade que acompanharia Elvis durante os anos decisivos de sua adolescência.
Gladys Presley e Jeannette Fruchter
A relação entre as duas famÃlias rapidamente ultrapassou a simples convivência entre vizinhos.
Gladys Presley e Jeannette Fruchter tornaram-se amigas próximas. Segundo relatos preservados pela famÃlia Fruchter, Gladys costumava subir as escadas e passar parte das tardes conversando com Jeannette.
Era uma amizade construÃda sobre coisas simples: conversas, refeições, problemas do cotidiano e a companhia de duas mulheres que viviam em circunstâncias bastante diferentes, mas encontraram afinidade uma na outra.
A proximidade também permitiu que Elvis conhecesse mais de perto a vida de uma famÃlia judaica ortodoxa.
Os Fruchter mantinham uma casa judaica tradicional e, segundo relatos posteriores, os Presley chegaram a participar de refeições e celebrações judaicas com a famÃlia. Há testemunhos de que Elvis gostava particularmente da comida preparada por Jeannette.
Os Presley enfrentavam dificuldades financeiras
A situação econômica da famÃlia Presley era difÃcil. O aluguel do apartamento na Alabama Avenue custava US$ 50 por mês, e a famÃlia tinha pouco dinheiro disponÃvel. Fontes que reconstruÃram esse perÃodo relatam que os Presley tinham dificuldade até mesmo para adquirir determinados itens que hoje parecem básicos. Os Fruchter perceberam essa situação e ajudaram.
Segundo relatos da própria famÃlia, quando os Presley estavam sem dinheiro, os Fruchter chegaram a ajudar no pagamento das contas de eletricidade e água. Também emprestavam o telefone, algo bastante útil numa época em que possuir um telefone particular não era uma realidade para muitas famÃlias de baixa renda.
Elvis - “Shabbos goy”
Os Fruchter eram judeus ortodoxos e observavam as restrições tradicionais do Shabat. Durante o sábado, determinadas atividades não eram realizadas pelos membros da famÃlia. Elvis, ainda adolescente, passou a ajudar em algumas dessas tarefas. Segundo o relato de Harold Fruchter, filho do casal, Elvis acendia e apagava luzes e ajudava a ligar o fogão a gás para a famÃlia. Esse tipo de auxÃlio prestado por um não judeu a judeus observantes durante o Shabat é conhecido como “Shabbos goy”.
Décadas depois, Harold ainda se lembrava desse aspecto da convivência entre as duas famÃlias e como que Elvis chamava seu pai de “Sir Rabbi”, uma expressão de carinho, respeito e familiaridade que havia entre eles.
O nascimento de Harold
Um dos episódios mais simpáticos dessa amizade aconteceu em julho de 1952, quando nasceu Harold Fruchter.
Segundo a memória da famÃlia Fruchter, quando Jeannette voltou do hospital com o recém-nascido, Elvis correu até ela e perguntou se poderia ter a honra de ajudá-la e levar o bebê no colo pelas escadas até o apartamento.
Harold Fruchter cresceu sabendo que seu endereço de nascimento era o mesmo endereço em que Elvis Presley morava e Décadas depois, ele ainda recordava aquele detalhe com carinho.
O toca-discos que Elvis não tinha
Talvez um dos episódios mais reveladores da situação financeira de Elvis tenha ocorrido em 1954. Elvis havia acabado de gravar seu primeiro single na Sun Records: “That's All Right”, acompanhado de “Blue Moon of Kentucky”. Mas havia um problema. A famÃlia Presley não tinha um toca-discos. O jovem cantor queria ouvir sua própria gravação, mas não possuÃa o aparelho necessário para reproduzi-la. Então Elvis recorreu novamente aos vizinhos do andar de cima.
Segundo Harold Fruchter, Elvis pediu emprestado o toca-discos da famÃlia. Jeannette respondeu que eles viajariam durante o verão e que, enquanto estivessem fora, Elvis poderia ficar com o aparelho. É uma cena difÃcil de não imaginar. O jovem de 19 anos acabara de fazer uma gravação que mudaria sua vida, mas precisava subir as escadas para pedir aos vizinhos um aparelho emprestado para conseguir ouvi-la. Naquele momento, ninguém sabia que “That's All Right” era o começo de uma revolução musical.
O presente de Jeannette
Em 1953, Elvis se formou na L. C. Humes High School. Sua vida ainda estava prestes a mudar. Ele não era uma estrela. Não possuÃa dinheiro ou fama. Era simplesmente um jovem de Memphis tentando descobrir o que faria da vida.
Jeannette Fruchter, que o conhecia desde os tempos em que ele era apenas o adolescente que morava no apartamento de baixo, marcou aquele momento com um presente. Ela lhe deu um par de abotoaduras de ônix preto. O presente ficou registrado nas lembranças da famÃlia Fruchter como uma lembrança daquele perÃodo em que Elvis ainda era apenas Elvis.
Jeannette continuou falando dele com carinho durante toda a vida. Segundo relatos posteriores, ela costumava descrevê-lo como “o garoto mais gentil que alguém poderia desejar conhecer”.
O acampamento de verão
Existe ainda uma outra história associada à relação de Elvis com a comunidade judaica de Memphis: Elvis recebeu apoio da comunidade judaica de Memphis para participar de um acampamento de verão
Uma reportagem da Jewish Telegraphic Agency registra que, segundo o jornalista e cineasta responsável pelo documentário Mr. Presley Goes to the JCC, a comunidade judaica pagou para que Elvis frequentasse um acampamento de verão quando era menino.
Outra fonte jornalÃstica, a New York Jewish Week/JTA, afirma que Elvis recebeu, quando adolescente, uma bolsa para um acampamento de verão oferecida pela comunidade judaica.
Nota Importante: Há uma particularidade cronológica importante: os relatos sobre Elvis e os Fruchter abrangem o perÃodo de convivência das famÃlias, mas algumas fontes apresentam pequenas diferenças quanto à cronologia exata da mudança para a Alabama Avenue. O que é consistente nos relatos é que Elvis e os Fruchter foram vizinhos em Memphis e que Harold nasceu durante esse perÃodo de proximidade.


