Ian Gillan, do DEEP PURPLE, falou há pouco tempo para a revista Classic Rock, em matĂ©ria onde personalidades (nĂŁo necessariamente ligadas Ă mĂşsica) escolheram seus "Ăcones do rock".
A explicação a seguir Ă© de Gillan sobre o motivo de sua escolha por ELVIS PRESLEY para a lista. "Eu me desinteressei por ele depois que lançou o filme 'Blue Hawaii', de 1961, e se mudou para Las Vegas, mas no seu inĂcio de carreira, ninguĂ©m podia com Elvis."
"Certa vez, Michael Parkinson perguntou à famosa soprana neozelandesa, Kiri Te Kanawa, quem era a maior voz que ela já tinha ouvido, provavelmente esperando que ela respondesse que seria (Luciano) Pavarotti ou Maria Callas, mas ela disse: 'o jovem Elvis Presley, sem nenhuma dúvida."
"A voz de Elvis era única. Assim como tantos outros, ele tinha uma habilidade natural e técnica, mas havia algo no fator humano de sua voz, em sua liberação. Ele foi muito influenciado pelo Southern blues (Blues dos negros que viviam nas regiões sulistas dos EUA, como o Mississipi), e ele contribuiu para provar que se poderia ter essa mistura bizarra de country 'n' western, blues e folk. As gravações eram muito honestas naquela época, e elas se sustentam notoriamente bem."
"Eu era um ávido colecionador da primeira fase do Elvis; para um jovem cantor, ele era uma inspiração absoluta. Eu absorvi o que ele fez feito papel molhado. É a mesma coisa que estar na escola - você aprende o que o professor escreve no quadro. Sua personalidade era também extremamente chamativa. O balançar de seus quadris era considerado sensacional, mas diferente do Little Richard ou do Chuck Berry, suas entrevistas eram mais 'apagadas' (quando se tratava dele mesmo). Ele chegou humilde e era generoso ao elogiar os outros."
"Era inimaginável para mim que Elvis não tivera composto suas próprias canções. Aqueles foram dias muito diferentes, e ele selecionava o que lhe satisfizesse melhor de materiais cedidos por editoras, times ou escritores - todos eram extremamente conscientes do seu (Elvis) estilo."
"Entretanto, ele apareceu em alguns filmes horrĂveis. Elvis podia tambĂ©m ser um tremendo ator. 'Love Me Tender' (1956) and 'Jailhouse Rock' (1957) eram muito bons, mas 'King Creole' (1958) era o meu favorito. Gradualmente, seu vigor juvenil e seu estilo desinibido começaram a degringolar. Para mim, ele cantou bem pela Ăşltima vez no filme 'GI Blues' (1960)."
"Junto ao resto do DEEP PURPLE, certa vez eu tive a chance de me encontrar com Elvis. O resto dos caras foram juntos. Mas eu recusei, sabendo que meu herĂłi havia mudando tanto. PorĂ©m aquelas primeiras gravações ainda sĂŁo incrĂveis, eles podem remixá-las ĂŞ transforma-las em hits para a geração adolescente, e Elvis será sempre o Rei. A razĂŁo Ă© simples: ele foi o melhor cantor que já existiu."
Rubens Lessa
Nenhum comentário:
Postar um comentário