quinta-feira, 6 de março de 2008

A testemunha

O patologista Raul Lamim afirma que o ídolo do rock abusou dos remédios para dormir.

Elvis Presley é tão querido que, 30 anos depois de sua morte, verdadeira legião de fãs reluta em aceitar o silêncio definitivo do cantor, que se consagrou como um dos maiores nomes do rock. O fenômeno pop vendeu nada menos de 100 milhões de discos. Em pleno século 21, é comum admiradores de todas as partes do mundo - especialmente dos Estados Unidos - jurarem tê-lo visto andando por aí.

Para o médico patologista mineiro Raul Lamim, o bordão "Elvis não morreu" só pode ser fruto do carinho desmedido dos fãs. E há um bom motivo para isso: formado em 1970 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Lamim não tem dúvida de que o ídolo partiu mesmo para o além. Foi ele quem fez a autópsia do corpo do músico.

Aprovado em concurso promovido pela embaixada norte-americana, Raul era residente sênior em patologia do Baptist Memorial Hospital, de Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos. Deveria fazer quatro plantões por ano na especialidade. O primeiro foi exatamente em 16 de agosto de 1977, dia em que Elvis morreu, aos 42 anos. "Eram aproximadamente 16h. Já estava indo pegar o bipe para assumir o plantão noturno em casa", conta ele. Naquele instante, Lamim percebeu burburinho diferente em um dos acessos ao hospital, vinculado à universidade do estado do Tennessee.

Pensou se tratar de caso de rotina, até ser comunicado de que Elvis Presley, morador de Memphis desde 1948, havia morrido. "Achei que fosse brincadeira, mas o corpo já estava na mesa de necropsia", lembra. O mineiro, então, entrou em contato com o staff do hospital. Ele e o médico Thomas Mc Cheney iniciaram os procedimentos. "Abrimos o corpo completamente e examinamos todos os órgãos", descreve o professor da UFJF e integrante da equipe do Serviço de Anatomia e Patologia (SAP) da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora.

"Ele morreu asfixiado", garante o patologista mineiro. Lamim explica que sinais detectados no corpo o levaram a essa conclusão - entre eles, cianose da cintura para cima e boca entreaberta, com a língua para fora. Elvis Presley foi encontrado com o rosto voltado para o chão sobre o carpete do banheiro da mansão Graceland, atualmente o segundo ponto turístico mais visitado dos Estados Unidos (atrás apenas da Casa Branca). Lamim lembra que Elvis usava soníferos e, provavelmente, teria abusado de remédios. "As drogas para dormir interagem entre si. Algumas levam ao sono profundo", esclarece.

O patologista ressalta que o músico viajou por mais de nove meses em turnê. "Segundo consta, ele estava cansado e deprimido. Depois da separação de Priscilla Ann Beaulieu, em 1972, Elvis chegou a ser hospitalizado em 1973, 1975 e 1977. O doutor Lamim condena qualquer especulação que atribua a morte do cantor ao uso de drogas ilícitas: "Ele nunca fez uso desse tipo de droga. Vi os registros médicos".

Lamim é citado quatro vezes no polêmico The death of Elvis Presley - What really happened (A morte de Elvis Presley - O que realmente ocorreu), lançado em 1991 pelos jornalistas norte-americanos Charles Thompson e James Cole. Os autores levantam várias hipóteses para o "misterioso" desaparecimento do cantor. O professor da UFJF tem várias restrições ao livro, que classifica como sensacionalista. "Inventaram que havia mais um médico, mas apenas dois fizeram a necropsia", salienta.

Ricardo Beghini - Fernando Souza/Especial para o EM - MGM/AP

Nenhum comentário:

Instagram

Translate

Canal ESTB

Seguidores