🇧🇷 Mantendo o Legado de Elvis desde 1974 🇵🇹Atualizado em 22/08/2026

sábado, 22 de agosto de 2026

A família judia que ajudou o jovem Elvis Presley antes da fama

Antes de se tornar o maior artista do planeta, Elvis Presley foi um adolescente pobre de Memphis. E, durante um dos períodos mais importantes de sua juventude, uma família judia viveu literalmente no andar de cima de sua casa — e acabou se tornando parte importante de sua história.

Quando Elvis Presley chegou a Memphis, vindo de Tupelo, Mississippi, em 1948, tinha apenas 13 anos. A mudança representava uma nova oportunidade para a família, mas os Presley continuavam vivendo com poucos recursos. Vernon e Gladys Presley tinham dificuldades financeiras e, durante os primeiros anos em Memphis, a família passou por diferentes moradias. Em 1953, Elvis e seus pais se mudaram para uma casa de dois andares na 462 Alabama Avenue, onde alugaram o apartamento do andar térreo.

No andar de cima vivia uma família judia: o rabino Alfred Fruchter, sua esposa, Jeannette, e seu filho Harold Fruchter.

Era uma casa simples, em uma região conhecida como The Pinch, um bairro de Memphis que reunia diversas comunidades de imigrantes e onde também havia uma presença judaica significativa. Os Presley e os Fruchter pagavam aluguel à mesma proprietária, conhecida como Mrs. Dubrovner, esposa de um açougueiro kosher.

Foi ali, entre dois apartamentos, que começou uma amizade que acompanharia Elvis durante os anos decisivos de sua adolescência.

Gladys Presley e Jeannette Fruchter

A relação entre as duas famílias rapidamente ultrapassou a simples convivência entre vizinhos.

Gladys Presley e Jeannette Fruchter tornaram-se amigas próximas. Segundo relatos preservados pela família Fruchter, Gladys costumava subir as escadas e passar parte das tardes conversando com Jeannette.

Era uma amizade construída sobre coisas simples: conversas, refeições, problemas do cotidiano e a companhia de duas mulheres que viviam em circunstâncias bastante diferentes, mas encontraram afinidade uma na outra.

A proximidade também permitiu que Elvis conhecesse mais de perto a vida de uma família judaica ortodoxa.

Os Fruchter mantinham uma casa judaica tradicional e, segundo relatos posteriores, os Presley chegaram a participar de refeições e celebrações judaicas com a família. Há testemunhos de que Elvis gostava particularmente da comida preparada por Jeannette.

Os Presley enfrentavam dificuldades financeiras

A situação econômica da família Presley era difícil. O aluguel do apartamento na Alabama Avenue custava US$ 50 por mês, e a família tinha pouco dinheiro disponível. Fontes que reconstruíram esse período relatam que os Presley tinham dificuldade até mesmo para adquirir determinados itens que hoje parecem básicos. Os Fruchter perceberam essa situação e ajudaram.

Segundo relatos da própria família, quando os Presley estavam sem dinheiro, os Fruchter chegaram a ajudar no pagamento das contas de eletricidade e água. Também emprestavam o telefone, algo bastante útil numa época em que possuir um telefone particular não era uma realidade para muitas famílias de baixa renda.

Elvis - “Shabbos goy”

Os Fruchter eram judeus ortodoxos e observavam as restrições tradicionais do Shabat. Durante o sábado, determinadas atividades não eram realizadas pelos membros da família. Elvis, ainda adolescente, passou a ajudar em algumas dessas tarefas. Segundo o relato de Harold Fruchter, filho do casal, Elvis acendia e apagava luzes e ajudava a ligar o fogão a gás para a família. Esse tipo de auxílio prestado por um não judeu a judeus observantes durante o Shabat é conhecido como “Shabbos goy”.

Décadas depois, Harold ainda se lembrava desse aspecto da convivência entre as duas famílias e como que Elvis chamava seu pai de “Sir Rabbi”, uma expressão de carinho, respeito e familiaridade que havia entre eles.

O nascimento de Harold

Um dos episódios mais simpáticos dessa amizade aconteceu em julho de 1952, quando nasceu Harold Fruchter.

Segundo a memória da família Fruchter, quando Jeannette voltou do hospital com o recém-nascido, Elvis correu até ela e perguntou se poderia ter a honra de ajudá-la e levar o bebê no colo pelas escadas até o apartamento.

Harold Fruchter cresceu sabendo que seu endereço de nascimento era o mesmo endereço em que Elvis Presley morava e Décadas depois, ele ainda recordava aquele detalhe com carinho.

O toca-discos que Elvis não tinha

Talvez um dos episódios mais reveladores da situação financeira de Elvis tenha ocorrido em 1954. Elvis havia acabado de gravar seu primeiro single na Sun Records: “That's All Right”, acompanhado de “Blue Moon of Kentucky”. Mas havia um problema. A família Presley não tinha um toca-discos. O jovem cantor queria ouvir sua própria gravação, mas não possuía o aparelho necessário para reproduzi-la. Então Elvis recorreu novamente aos vizinhos do andar de cima.

Segundo Harold Fruchter, Elvis pediu emprestado o toca-discos da família. Jeannette respondeu que eles viajariam durante o verão e que, enquanto estivessem fora, Elvis poderia ficar com o aparelho. É uma cena difícil de não imaginar. O jovem de 19 anos acabara de fazer uma gravação que mudaria sua vida, mas precisava subir as escadas para pedir aos vizinhos um aparelho emprestado para conseguir ouvi-la. Naquele momento, ninguém sabia que “That's All Right” era o começo de uma revolução musical.

O presente de Jeannette

Em 1953, Elvis se formou na L. C. Humes High School. Sua vida ainda estava prestes a mudar. Ele não era uma estrela. Não possuía dinheiro ou fama. Era simplesmente um jovem de Memphis tentando descobrir o que faria da vida.

Jeannette Fruchter, que o conhecia desde os tempos em que ele era apenas o adolescente que morava no apartamento de baixo, marcou aquele momento com um presente. Ela lhe deu um par de abotoaduras de ônix preto. O presente ficou registrado nas lembranças da família Fruchter como uma lembrança daquele período em que Elvis ainda era apenas Elvis.

Jeannette continuou falando dele com carinho durante toda a vida. Segundo relatos posteriores, ela costumava descrevê-lo como “o garoto mais gentil que alguém poderia desejar conhecer”.

O acampamento de verão

Existe ainda uma outra história associada à relação de Elvis com a comunidade judaica de Memphis: Elvis recebeu apoio da comunidade judaica de Memphis para participar de um acampamento de verão

Uma reportagem da Jewish Telegraphic Agency registra que, segundo o jornalista e cineasta responsável pelo documentário Mr. Presley Goes to the JCC, a comunidade judaica pagou para que Elvis frequentasse um acampamento de verão quando era menino.

Outra fonte jornalística, a New York Jewish Week/JTA, afirma que Elvis recebeu, quando adolescente, uma bolsa para um acampamento de verão oferecida pela comunidade judaica.

Nota Importante: Há uma particularidade cronológica importante: os relatos sobre Elvis e os Fruchter abrangem o período de convivência das famílias, mas algumas fontes apresentam pequenas diferenças quanto à cronologia exata da mudança para a Alabama Avenue. O que é consistente nos relatos é que Elvis e os Fruchter foram vizinhos em Memphis e que Harold nasceu durante esse período de proximidade.

7 Curiosidades Judaicas que você não sabia sobre Elvis

1. Ele jogava raquetebol no Centro Comunitário Judaico de Memphis
“Elvis não podia sair em público durante o dia para jogar boliche, praticar karatê, assistir a filmes ou fazer qualquer outra coisa”, explica o advogado aposentado e ex-presidente do Centro Comunitário Judaico de Memphis, Ron Harkavy. Por isso, Elvis e seu grupo costumavam ir ao local tarde da noite para jogar. Ele também fazia doações anuais ao Centro Comunitário Judaico de Memphis e para outras diversas organizações judaicas, incluindo US$ 150.000 para a Academia Hebraica de Memphis. “Minha esposa diz que Elvis era especialmente gentil com as crianças — realmente um cara muito doce”, conta Ron.

2. Ele usava no pescoço um cordão com um pingente da estrela de David, um pingnete com o "Chai" (חי) e um pingente da cruz de Cristo
Elvis costumava brincar: "Eu simplesmente não quero deixar de conseguir entrar pelos portões do Céu por causa de uma questão técnica.” A combinação dos três símbolos tornou-se uma das manifestações mais conhecidas da espiritualidade pessoal de Elvis.

3. Elvis era o “Shabbos goy” da família de um rabino
No início dos anos 1950, a família do rabino Alfred Fruchter dividia um duplex em Memphis com a família de Elvis, no endereço 462 Alabama Avenue. Os Presley alugavam o pequeno apartamento no andar de baixo, enquanto a família do rabino morava no andar de cima. “Os Presley eram ainda mais pobres do que minha família”, escreveu Judy Fruchter Minkove no Baltimore Sun, em 2004. “Meu pai era o rabino ortodoxo de uma pequena congregação e, posteriormente, fundou e tornou-se diretor da Memphis Hebrew Academy. Durante o dia, minha mãe tomava café com Gladys Presley. Em nossa casa, Elvis era conhecido como o ‘Shabbos goy’, o gentio que acendia as luzes para nós nas noites de sexta-feira ou aos sábados, quando os judeus ortodoxos são proibidos de acender fogo — uma prática que, com o tempo, passou a significar não acender as luzes.” Elvis se recusava a receber qualquer dinheiro por sua ajuda. Aos domingos, ele acompanhava sua própria família à igreja, vestido com suas melhores roupas.

4. Sua “Máfia de Memphis” incluía três judeus
A imprensa chamou de “Memphis Mafia” o grupo de amigos, associados e funcionários de Elvis que o protegiam e trabalhavam para ele desde o início de sua carreira, em 1954, até sua morte, em 1977.
Entre eles estavam George Klein, Marty Lacker e Alan Fortas.
- George Klein, DJ de rádio e apresentador de televisão, era o braço direito de Elvis. A morte do Rei, em 1977, o afetou profundamente. “Eu nunca fui particularmente um judeu ortodoxo, mas, depois que Elvis morreu, segui a tradição judaica do yahrzeit — um ano de luto marcado por orações diárias pela manhã e à noite”, contou Klein ao The Jewish Chronicle. Quase uma década depois, Priscilla e Lisa Marie Presley pediram a Klein que recebesse o prêmio de Elvis quando ele foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame.
- Marty Lacker, que conhecia Elvis desde o ensino fundamental, era um de seus amigos mais confiáveis. Ele trabalhou como contador, secretário e conselheiro informal de Elvis e teve a honra de ser um dos dois padrinhos do casamento de Elvis com Priscilla, em 1967.
- Alan Fortas trabalhava como guarda-costas e assistente geral de Elvis. Ele era sobrinho do ex-ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos Abe Fortas.

5. A lápide de sua mãe é adornada com uma Estrela de David
Elvis mandou fazer uma lápide com uma estrela de David de um lado e uma cruz do outro, juntamente com as palavras “Sunshine Of Our Home” gravadas entre elas. A presença da Estrela de David no túmulo de Gladys é uma das evidências frequentemente mencionadas quando se fala sobre a possível herança judaica da família Presley.

6. Elvis fazia doações regularmente para causas judaicas
Além do Centro Comunitário Judaico de Memphis, Elvis também apoiava a Memphis Hebrew Academy, atualmente chamada Margolin Hebrew Academy. Larry Moss, um grande fã judeu de Elvis, afirma que Elvis também pagou pela criação de uma sala para idosos na Baron Hirsch Synagogue, em memória da mãe de um de seus amigos judeus. Assim, segundo o artigo, a relação de Elvis com a comunidade judaica de Memphis não se limitava a amizades pessoais: ele também teria contribuído financeiramente para instituições e projetos ligados à comunidade.

7. Elvis aperfeiçoou seu senso de moda na Lansky Bros.
Com um empréstimo de US$ 125 de seu pai, nascido na Polônia, os irmãos Bernard e Guy Lansky abriram um negócio de varejo em 1946, inicialmente vendendo uniformes militares e excedentes do Exército. No início dos anos 1950, a Lansky Bros. mudou o foco de sua loja na Beale Street para roupas masculinas de alta moda. “Elvis começou a frequentar a loja em 1952”, nos contou Hal Lansky. “Ele adorava a música da Beale Street. Ele amava o estilo de vida dos afro-americanos.” Embora a Beale Street fosse predominantemente marcada pela cultura e pela música afro-americana, muitos dos comerciantes eram judeus. Eles possuíam casas de penhores, lojas de produtos de beleza, cafés, joalherias e sapatarias. “Meu pai percebeu que aquele jovem com um topete preto, que estava olhando pela vitrine, parecia estar deslocado. Então disse: ‘Entre, rapaz.’” Lansky mostrou a loja ao adolescente, mas Elvis só tinha dinheiro para comprar uma camisa de US$ 3. Elvis trabalhava na esquina como lanterninha de cinema. Ele disse: “Sr. Lansky, eu não tenho dinheiro, mas um dia, quando ficar rico, vou comprar sua loja.” Bernard Lansky respondeu: “Não compre minha loja. Apenas compre de mim.” “Não gostamos de levar o crédito pelos macacões. Gostamos de levar o crédito pelo jovem Elvis.” A Lansky Bros. acompanhou Elvis durante três décadas. “Gostamos de levar o crédito pela combinação de preto e rosa dos anos 1950; eles mostraram isso no filme”, diz Hal Lansky. “Nos anos 1960, Elvis tinha o visual continental, com ternos justos, lapelas estreitas e calças ajustadas. Em meados dos anos 1960, os estilos mudaram para o visual mod vindo de Londres — bocas de sino, estampas paisley. Elvis adorava aquilo. Ele gostava de usar listras com estampas xadrez. Qualquer coisa que você colocasse em Elvis ficava bem nele. Nos anos 1970, veio o visual Super Fly, com chapéus de abas largas, longos casacos de couro, sapatos plataforma, golas e punhos de pele de vison nas roupas e capas. Não gostamos de levar o crédito pelos macacões. Gostamos de levar o crédito pelo jovem Elvis.”

Aish.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

The Gift - Curta-metragem sobre o nascimento de uma lenda da música

Tupelo, Mississippi, 1946. Para comemorar seu décimo primeiro aniversário, uma mãe leva o filho a uma loja de ferragens local para comprar seu presente. Lá, um rifle calibre .22 chama a atenção do garoto. Como a mãe não se mostra nada entusiasmada com a ideia, um prestativo funcionário da loja precisa oferecer uma alternativa. (baseado em uma história real)

Este curta-metragem recebeu os seguintes prêmios:

🏆 Melhor Curta-Metragem Internacional / Tupelo Film Festival, EUA – abril de 2015
🏆 Silver Lei / Honolulu Film Awards, EUA – maio de 2015
🏆 Prêmio “O Potencial de Mudar uma Vida” / Quarantine Film Festival, Bulgária – julho de 2015
🏆 Melhor Filme do Mississippi / Grenada Afterglow Film Festival, EUA – outubro de 2015
🏆 Melhor Curta-Metragem Internacional / Dublin International Short Film & Music Festival, Irlanda – outubro de 2015

Diretor e roteirista: Gabriel Robertson
Produtor: Ken Petrie
Elenco: Xander Berkeley, Brady Permenter, Amye Gousset
Música: Blair Mowat
Ano: 2015
© Licenciado pela Network Ireland Television

Canal Elvis Blues - ESTB

Elvis Sings The Gospel

"Elvis conhecia mais músicas de Blues do que a maioria no ramo" - B.B.King