segunda-feira, 22 de junho de 2009

Elvis Presley e Tom Jones


Quando Tom Jones era um adolescente, o seu ídolo era Elvis Presley. No início de 1965, Jones ficou muito popular com o enorme sucesso de It's Not Unusual. Mais para o final desse ano, conheceram-se no palco da Paramount, quando Elvis estava a filmar Paradise Hawaiian Style. Depois disso, ficaram bons amigos, passando cada vez mais tempo juntos em Las Vegas.

Tom Jones: Fui até aos estúdios da Paramount, em Hollywood, para falar sobre uma canção para um filme e disseram-me "Elvis está cá hoje a filmar e ele gostava de te conhecer." E eu pensei, meu Deus, nem sabia que ele sabia que eu existia, porque eu só tinha lançado 3 singles e um álbum naquela altura. E foram It's Not Unusual, What's New Pussycat e uma balada chamada With These Hands. Quando fui até ao estúdio onde Elvis estava a filmar, ele veio ter comigo e a cantar With These Hands, que era o meu disco. Nem pude acreditar. Para mim, foi um sonho que Elvis Presley estivesse a cantar uma canção minha, sabe, e para mim! Tirámos uma foto e ele disse-me, "Como diabo é que consegues cantar assim?" E eu disse, "Bem, em parte a culpa é tua, sabes, pois ouvia muito os teus discos nos anos 50."

Ele disse, "Como é que era em Gales nessa altura? Tu és de Gales, não és?" Eu disse que sim. E ele disse, "As pessoas cantam todas assim em Gales?" Eu respondi, "Bem, não propriamente," mas acrescentei, "as pessoas galesas têm vozes fortes e foi daí que retirei a minha força. O meu volume deve-se à minha origem geográfica." E disse, "mas fui mais influenciado pela música americana do que pela música tradicional galesa." E expliquei, "É uma combinação. Tenho uma voz galesa, mas devido ao facto da música americana me ter influenciado tanto, tenho o som que tenho. Porque pensavam que eu era negro, sabes?" Quando ouviram os meus discos pela primeira vez na América, pensaram que eu era negro. E pensaram o mesmo a respeito de Elvis Presley. Ele disse, "Quando ouvi What's New Pussycat, pensei que era um tipo negro a cantar." O que foi uma coisa estranha para ele dizer, pois também pensavam que ele era negro quando ele começou a cantar.

Ficámos amigos a partir desse momento e isso foi em 1965. Ficámos amigos até à sua morte. Trabalhámos muito juntos em Vegas, ao mesmo tempo. Ele vinha ver-me ao Flamingo em 1968 porque ele disse que queria regressar aos palcos, ao vivo, por já não cantar para um público há tantos anos. Ele queria cantar em Las Vegas, por isso ele achava que eu era o que mais se lhe assemelhava; eu tinha uma abordagem semelhante à dele. A minha presença em palco, sentia ele, era muito semelhante à sua. Ele disse-me, "Foste muito bem sucedido em Vegas, quero observar-te, quero ver o que fazes." E isso deu-lhe mais confiança para regressar ao palco.

Acho que ele foi a única pessoa com quem falei que sentia o mesmo em relação à música que eu, no que diz respeito à versatilidade. Porque ele adorava tanto as baladas como os rocks, adorava gospel e pop. E nós sentávamo-nos numa suite só para falar sobre música… e cantávamos juntos…

Em Agosto de 1974 Elvis fez uma grande apresentação de Tom Jones, que estava a assistir a um dos seus espectáculos: "Está alguém no público que queria que conhecessem. Para mim… ele é o meu cantor favorito. É um dos melhores artistas que já vi e tem uma voz fantástica, Tom Jones. Ali está ele. Ele é demais. Tom, amanhã à noite estreias no Caesars Palace, não é? Pessoal, se tiverem oportunidade, vão lá vê-lo. É realmente algo que vale a pena. Ele vem aqui sempre ver o meu espectáculo e eu vou sempre ver o dele. É um respeito mútuo."

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