sexta-feira, 26 de junho de 2009

E a história se repete...


A história se repete...

Mais uma pobre criança, pobre nasce. Sem esperanças, sem perspectiva de futuro, onde sobreviver já é uma conquista.

Gerada por uma família desestruturada, onde a figura materna tenta suprir a falta de bons exemplos de um pai desequilibrado. É a mãe que toma as rédeas da criação e lhe dá dentro das suas limitações, uma boa educação secular e religiosa que o influenciou por toda vida.

É recebida por uma sociedade segregacionista onde ser pobre já é uma afronta, e negro-pobre um crime.

Contrariando todas as estatísticas e previsões, ela sobrevive. Agora vem o próximo capítulo: será um delinquente juvenil? Um traficante? Ou, nas melhores hipóteses, mais um adulto miserável, cheios de filhos e morando num casebre? Mas aqui, a história é diferente da esmagadora maioria. Esta criança nasceu com um "algo a mais", tem uma marca que o diferencia de todas as outras pessoas. Ela nasceu com um talento: a música está em sua alma!

Daqui em diante, tudo será diferente. O pobre garoto começa a cantar, dançar e a encantar. Dia após dia fica mais evidente que ele é diferente, e veio a este mundo para fazer a diferença. Sua voz, sua dança e suas músicas conquistam o mundo. O sucesso vem rápido de mais, parecendo até que nunca teve um princípio e muito menos haverá um fim. Mas ele sabe que a caminhada foi árdua até aqui, e as marcas desta estrada longa e sofrida irão se manifestar um dia, mais cedo do que podia imaginar.

Esta pobre criança agora é um astro da música. Dinheiro, fama e prestígio: ele chega ao ápice e agora é proclamado rei! Apesar de todo o esplendor, ainda está fresco em sua memória o odor da segregação e da pobreza. Ele não se esqueceu de suas raízes; não quis e nem pôde! Algo o inquietava: para que nasci? Por que entre tantos miseráveis, eu fui o escolhido e agraciado com este presente divino: o talento? Teria que ter um porquê, um para que! Sua missão seria fazer o seu povo dançar para se aquecer do frio, e cantar para se esquecer das dores. Mas dançar e cantar não enchia barrigas, então, como um Robin Hood moderno, ele resolve repartir com o seu povo pobre e sofrido, o muito que ele ganhava da venda de seus discos e shows aos mais favorecidos que podiam pagar para vê-lo e ouvi-lo. Inúmeras instituições de caridades foram socorridas por ele, através de doações anonimas ou shows beneficentes. O muito que tinha repartia com aqueles, que assim como ele, pobre nasceu.

Foram milhares de discos vendidos, inúmeros prêmios e honrarias. Uma carreira brilhante e sem precedentes na história da industria fonográfica norte americana e mundial. Nunca houve, e sinceramente, nunca haverá nada igual. O showbusiness   jamais será o mesmo depois dele.

Mais uma vez a história se repete...

Na tênue linha que separa o homem do mito, os limites já não são mais perceptíveis. O astro é engolido pela fama. As cobranças da mídia, as maratonas de shows, os deslizes morais por se esquecer dos conselhos da Palavra de Deus - Bíblia - e de sua mãe, cobram um preço altíssimo. Ele conquistou tudo o que foi possível e imaginável em sua carreira, mas aquele vazio de sua infância ainda está lá, lhe assombrando.

O dinheiro lhe comprou tudo, mas não há mais paz. Agora precisa se esconder em casa, torna-se um recluso dentro de si mesmo. Mesmo rodeado por multidões de fãs, é um solitário. Já não dorme mais, só que agora não é por causa da fome que corroía o seu estomago quando criança, mas por causa de uma insônia aparentemente sem motivo, mas cruel. Agora precisa tomar remédios para conseguir umas poucas horas de sono, e isto se torna um ciclo vicioso, precisando, a cada noite, de uma dose mais forte. Chega a um ponto que já não consegue se manter acordado e apela novamente aos remédios, mas agora para ficar acordado e cumprir seus compromissos.

A cada aparição em público, fica evidente que ele não está bem. Algo está errado e parece grave! A mídia explora sem piedade este fato, as vendas de discos caíram muito, sua conta bancária já não é mais tão gorda e a gravadora o pressiona para lançar um novo álbum, o que lhe deixa ainda mais abatido e doente, dependendo cada vez mais dos famigerados remédios. Algo precisa ser feito e ele precisa reagir, mas não é fácil.

Um filme passa por sua cabeça, desde o dia de seu nascimento até hoje. Ele se lembra de cada obstaculo, de cada espinho na longa estrada. Lembra-se também de cada troféu conquistado e de cada flor colhida e do quanto ainda é novo e de quanto ainda pode realizar. Ouve, lá fora, os fãs gritando pelo seu nome: eles ainda o amam. Precisa reagir por eles, e por si mesmo.

O astro se levanta, o brilho ainda não se apagou. Começa a planejar uma volta digna de um popstar. A mídia já se agita e um burburinho toma conta da atmosfera. O rei está de volta! Shows são agendados, os ensaios começam. Todos estão agitados, e ele está nitidamente feliz. Parece bem disposto e confiante. Já está novamente em todas as capas de revistas, e é destaque em todos os canais de televisão, emissoras de rádio e jornais. Suas músicas voltam a ser tocada. Os holofotes estão sobre ele novamente, de onde nunca deveria ter saído.

Infelizmente, a história se repete novamente...

Ele está em sua casa descansando, sonhando e planejando a sua volta aos palcos. Há um novo frescor em sua vida, apesar do vazio ainda estar lá. Os bons tempos estão de volta, pensa ele. Mil planos estão borbulhando em sua mente e em sua alma, mas seu coração parece não querer suporta tudo aquilo de novo e resolve parar. O seu vazio se acaba, o rei está morto!

De quem estou falando? A história é quase a mesma, mas os personagens são diferentes. Está é a vida e morte de dois astros da música mundial: Elvis Presley o rei do rock, e Michael Jackson o rei do pop. Duas vidas, duas épocas e dois estilos completamente diferentes, mas uma mesma história que se repete: o mito sufocou e matou o homem, transformando-os em uma lenda.

Doni Augusto

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