Eu tinha 14 anos quando ouvi Elvis dizer que compraria um carro e uma casa para sua mãe quando ficasse rico, e isso me fez querer fazer a mesma coisa. Eu disse: "Quando ficar rico e famoso, vou comprar um carro para minha mãe e depois uma casa". Depois da minha primeira luta profissional, comprei um Cadillac rosa para minha mãe ... E depois da minha segunda luta comprei uma casa para os meus pais. Assim como Elvis.
Em 1956, já muito famosa no Brasil (e um dos maiores salários do rádio brasileiro), partiu para os Estados Unidos e apresentou-se em diversas casas noturnas, principalmente em Las Vegas, onde fez várias temporadas nos famosos cassinos.
Leny faleceu em São Paulo, no dia 29 de abril de 1984, aos 63 anos de idade, pouco tempo depois de ter as duas pernas amputadas por causa de complicações do diabetes. Leny já estava esquecida pelo grande público, mas hoje, graças à magia da Internet, o maravilhoso legado de Hildinha está aÃ, disponÃvel a todos que queiram se maravilhar com sua preciosa voz – uma voz forte, de contralto, ampliada em sua potência pelos anos de dedicação ao estudo do canto – uma voz que o Brasil, e o mundo, não deveriam esquecer!
Fontes: Entrevistas com LuÃs Vieira, Adelaide Chiozzo, Lana Bittencourt e Agnaldo Rayol / Documentário “Leny, a fabulosa”, de Ney Inácio (2015)
Em 1979, Dulce descreve, em sua coluna na revista “Contigo”, como foi o seu encontro com Elvis:
"Elvis estava tÃmido e eu emocionada. Mais do que repórter, me sentia como uma fã em frente ao meu grande Ãdolo. E nosso primeiro encontro foi realmente inesquecÃvel. Ele já era o Rei do Rock, famoso, festejado e desejado por todas as mulheres. Mas nem por isso perdia o jeito humilde, simples e sincero. Elvis Presley tinha o ar de um garotão encabulado.
Frente a frente com um astro internacional, eu sentia de perto seu fascÃnio e descobria o que realmente o tornava irresistÃvel. Ao falar, Elvis acompanhava suas palavras com um sorriso aberto, de dentes perfeitos. E tinha um olhar envolvente, um tanto triste. Não gostava muito de comentar sua vida na intimidade, mas aos poucos, ia se sentindo à vontade para revelar que não bebia nem fumava.
Agora, só faltava gravar. Com as agendas dos dois lotadas de viagens, o encontro demorou três meses para acontecer. Segundo Ruth, eles entraram em estúdio - Elvis com a voz e a guitarra e Bonfá com o violão - e, em uma semana, o Brasil já se orgulhava de ter uma música na voz de Elvis Presley (lançado em compacto simples em 1968 e em LP - como tÃtulo do álbum - em 1970).
Vaneese narra como foi o encontro em uma entrevista para a revista “Living Blues” (dedicada à comunidade negra amante do blues tradicional):
“A WDIA sempre tinha “revues” (shows de auditório com plateia) - duas por ano, uma no verão e uma no inverno – e a ‘Goodwill Revue’ foi no inverno e papai tinha os discos de Elvis (ouvÃamos Elvis na vitrola de casa) e queria convidá-lo para participar do evento. O gerente geral da rádio achou que isso não iria agradar à comunidade negra, e papai disse: ‘Você está errado! Em primeiro lugar, as pessoas amam Elvis, especialmente em Memphis. E as mulheres, não importa sua etnia, simplesmente caem e enlouquecem por causa de Elvis. Vamos apresentá-lo ao público e veremos a reação da multidão’. E foi exatamente isso que meu pai fez. No final do show, papai disse: ‘Temos um convidado surpresa para vocês nesta noite’. Ele apresentou Elvis, e quando Elvis apareceu, a reação foi exatamente como ele esperava. As meninas enlouqueceram. Isso provou que Elvis era muito querido na comunidade negra, e papai começou a tocar seus discos na WDIA. Papai foi o primeiro DJ negro a tocar a música de Elvis, e numa rádio totalmente voltada ao público negro.
O legendário fotógrafo afro-americano Ernest Withers (que documentou mais de 60 anos de história afro-americana no Sul segregado, com imagens icônicas do boicote aos ônibus de Montgomery, Emmett Till, greve de saneamento de Memphis, Negro league baseball e músicos, incluindo aqueles relacionados ao Memphis blues e Memphis soul) capturou o momento em uma foto preto e branco.
A foto está agora em destaque em uma colagem de fotos vintage no encarte do meu CD "The Long Journey Home", um conjunto de blues e canções de soul que eu e meu marido multi-instrumentista Wayne Warnecke produzimos em nosso estúdio caseiro”.
Uma professora da rede municipal de São Paulo e candidata a vereadora (derrotada nas urnas) pelo PCdoB (e em 2022 candidata a deputada estadual pelo MDB e mais uma vez derrotada nas urnas), publicou na sua conta do Facebook (no dia 14/07/20) um vÃdeo da magnÃfica cantora gospel Rosetta Tharpe com os seguintes (infelizes e inverÃdicos) dizeres (no tÃtulo da postagem e na resposta de um comentário):
Vou por pontos, e peço que leia com paciência e atenção os fatos que vou apresentar aqui (vou tentar ser o mais breve, pois isso daria vários livros).
Myrna Smith (The Sweet Inspirations) afirmou em entrevista: "Elvis, na juventude, ia naquelas igrejas gospel negras em Memphis e isso exigia muita coragem. Os meninos brancos simplesmente não iriam lá, era uma coisa corajosa de se fazer, mas ele ia. Não havia uma gota de racismo em Elvis".
Membros do time de futebol da Universidade da Carolina do Norte lendo silenciosamente a inscrição na lápide de Elvis Presley enquanto visitavam a Mansão Graceland em 17 de dezembro de 1977. Os Tar Heels enfrentariam o Nebraska no Liberty Bowl de 19/12/77. (foto by CHicago Tribune)
Há centenas de fatos sobre Elvis que mostra o quanto ele não era racista, fatos estes em ações, não em simples palavras.
Elvis frequentava os mesmos banheiros usados por negros em Memphis (cidade extremamente racista/segregacionista), conforme o grande Soul Man Al Green conta no vÃdeo abaixo.
Elvis costumava cortar seus cabelos no Jim's Barber Shop de Memphis
Willa Monroe - a primeira disc jockey negra da WDIA
Sargento Elvis
Todos os músicos e funcionários de Elvis, durante as turnês, se hospedavam no mesmo hotel de luxo e tinham os mesmos tratamentos que Elvis. Isso era uma exigência do próprio Elvis.
Quando Elvis fez sua primeira turnê pelo Texas, os organizadores e patrocinadores lhe disseram que as garotas negras da equipe de Elvis (que cantavam com ele no palco) não eram bem-vindas ali e não poderiam ficar com ele no mesmo hotel e que se elas viessem, deveriam se hospedar em um hotel do outro lado da cidade, bem mais simples e que aceitava negros. Elvis respondeu: “Bem, se elas não forem e não ficarem conosco no mesmo hotel, não tem show!”. Como todos os ingressos estavam vendidos, os organizadores tiveram que aceitar. E não parou por aÃ! Elvis pediu um carro conversÃvel, dirigido pela filha loira do organizador que disse que as suas cantoras negras não poderiam ficar no mesmo hotel, e entrou no estádio lotado para o show com as suas cantoras negras dento do carro conversÃvel e com a filha loira do organizador dirigindo. Isso foi contado pela própria Myrna Smith, umas de suas cantoras e que estava no carro conversÃvel.
Vaneese narra como foi o encontro em uma entrevista para a revista “Living Blues” (#246, vol. 47, nº 6, pag. 24 – Dezembro de 2016 - dedicada à comunidade negra amante do blues tradicional):
“A WDIA sempre tinha “revues” (shows de auditório com plateia) - duas por ano, uma no verão e uma no inverno – e a ‘Goodwill Revue’ foi no inverno e papai tinha os discos de Elvis (ouvÃamos Elvis na vitrola de casa) e queria convidá-lo para participar do evento. O gerente geral da rádio achou que isso não iria agradar à comunidade negra, e papai disse: ‘Você está errado! Em primeiro lugar, as pessoas amam Elvis, especialmente em Memphis. E as mulheres, não importa sua etnia, simplesmente caem e enlouquecem por causa de Elvis. Vamos apresentá-lo ao público e veremos a reação da multidão’. E foi exatamente isso que meu pai fez. No final do show, papai disse: ‘Temos um convidado surpresa para vocês nesta noite’. Ele apresentou Elvis, e quando Elvis apareceu, a reação foi exatamente como ele esperava. As meninas enlouqueceram. Isso provou que Elvis era muito querido na comunidade negra, e papai começou a tocar seus discos na WDIA. Papai foi o primeiro DJ negro a tocar a música de Elvis, e numa rádio totalmente voltada ao público negro.
O legendário fotógrafo afro-americano Ernest Withers (que documentou mais de 60 anos de história afro-americana no Sul segregado, com imagens icônicas do boicote aos ônibus de Montgomery, Emmett Till, greve de saneamento de Memphis, Negro league baseball e músicos, incluindo aqueles relacionados ao Memphis blues e Memphis soul) capturou o momento em uma foto preto e branco.
A foto está agora em destaque em uma colagem de fotos vintage no encarte do meu CD "The Long Journey Home", um conjunto de blues e canções de soul que eu e meu marido multi-instrumentista Wayne Warnecke produzimos em nosso estúdio caseiro”.
7 de dezembro de 1956 - Elvis compareceu ao evento beneficente anual da estação de rádio negra WDIA — normalmente segregado — em favor de crianças negras carentes, realizado no Ellis Auditorium, em Memphis. Já em junho do mesmo ano, o jornal The Memphis World noticiou que “o fenômeno do rock ’n’ roll rompeu as leis de segregação de Memphis” ao frequentar o parque de diversões do Memphis Fairgrounds durante o que era designado como “noite dos negros”.
Nessa noite de dezembro, Elvis dividiu o palco com alguns de seus próprios heróis musicais — Ray Charles, B.B. King e Rufus Thomas — tornando-a uma noite histórica de música diversificada.
Em Memphis, ele não era apenas uma estrela em ascensão; foi acolhido como um campeão pela comunidade negra, e seu público era muito mais diverso do que a história frequentemente sugere.
Mesmo que seu contrato (com a RCA) o impedisse de se apresentar oficialmente no evento beneficente da WDIA, sua breve aparição ainda levou a multidão ao delÃrio. Como relatou o The Pittsburgh Courier:
“Mil garotas adolescentes negras, morenas e pardas uniram suas vozes em um único e selvagem crescendo que sacudiu as vigas do teto… e partiram em disparada como gatos escaldados na direção de Elvis Presley”.
Toda essa excitação — apenas por Elvis surgir de trás da cortina.
Elvis namorou, em meados de 1970, com uma moça negra chamada Maggie. A própria Nancy diz isso na mesma entrevista citada acima e em seu livro (cap. 4). Ela diz: “Elvis namorou uma bela jovem negra chamada Maggie. Ela tinha sido contratada por Vernon, a 5 dólares por hora, para atender os telefonemas em Graceland; em pouco tempo, uma forte atração romântica se desenvolveu entre ela e Elvis. Como muitos dos romances de Elvis, este foi relativamente curto e eles seguiram caminhos diferentes. Mais tarde ela morreu tragicamente em uma festa num clube noturno”.
A grande cantora Dionne Warwick conta no vÃdeo abaixo como conheceu Elvis e como ele a tratou e a ajudou a vender mais discos.
Sylvia Shemwell conta como Deus a curou do câncer após Elvis orar por ela.
Em 1968, quando Elvis resolveu voltar aos palcos e aos shows ao vivo, a NBC fez um especial acústico com Elvis (o primeiro acústico da história registrado em vÃdeo) para esta volta de Elvis aos palcos após anos gravando filmes. O especial ficou conhecido como '68 Comeback Special. Este especial foi ao ar num momento critico da historia do racismo nos EUA: o assassinato do grande Martin Luther King. Neste especial, que foi ao ar poucos meses depois da morte de Martin Luther King, assassinado em abril na cidade de Memphis, e por isso mesmo no auge do racismo, Elvis fez questão de, mesmo após muita briga dos diretores do especial e da NBC, que eram contra:
a). Dedicar uma parte do especial onde ele aparece cantando ao lado grupo vocal feminino chamado "The Blossoms", grupo que era composto por três mulheres negras (Fanita James, Jean King, Darlene Love).
b). Apresentar um grupo de dança com o bailarino negro e homossexual Claude Thompson (que como cito abaixo, foi o responsável pela maquiagem e a coreografia do especial).
* Fanita James, Jean King e Darlene Love (The Blossoms) – 1968 cantaram com Elvis no especial de TV na NBC.
* Claude Thompson – ator, maquiador, dançarino e coreografo homossexual. Dançou no especial de Elvis para a TV em 68 e foi o responsável pelas coreografias e maquiagens do especial por sugestão do próprio Elvis.
Tanto no auditório, quanto nos bastidores e nas festas pós-shows de Elvis sempre havia negros. Basta ver vÃdeos e fotos dos shows, dos bastidores e das filas do lado de fora de seus concertos.
6. Elvis roubou a cultura negra, enriqueceu assinando autoria de músicas
Quando Jackie Wilson, grande cantor e amigo de Elvis, passou mal em um show e ficou em coma por quase 9 anos (75-84), Elvis ia visitá-lo com frequência e pagou parte da conta do hospital (Jackie não voltou do coma e faleceu em 1984).
Gostaria de encerrar com as palavras dos próprios envolvidos e interessados nesta questão de "racismo" e "apropriação cultural": os artistas negros!
Eu tinha 14 anos quando ouvi Elvis dizer que compraria um carro e uma casa para sua mãe quando ficasse rico, e isso me fez querer fazer a mesma coisa. Eu disse: "Quando ficar rico e famoso, vou comprar um carro para minha mãe e depois uma casa". Depois da minha primeira luta profissional, comprei um Cadillac rosa para minha mãe ... E depois da minha segunda luta comprei uma casa para os meus pais. Assim como Elvis.
Muhammad Ali visitando o túmulo de seu amigo Elvis - quinta-feira, 16/08/1985. (Foto AP/Mark Humphrey - Associated Press)
Ali foi a Memphis (após a morte de Elvis) durante a "Semana Elvis" e pediu para falar no serviço memorial. De acordo com o que George Klein nos conta: "já estava na hora de começar o serviço memorial, e Ali não estava lá, então saà para falar com a multidão. Bem, eu começo a falar, e então vejo um homem andando em direção ao palco, logo abaixo do corredor, e era o campeão Ali. Apresentei-o como se tivesse sido 'planejado', e ele começou a falar, e fez uma linda homenagem a Elvis sem nenhuma anotação ou esboço. E então, no final, ele cantou uma versão a cappella de 'Don't Be Cruel'. Foi perfeito. Ele não perdeu uma palavra ou uma nota".
Rufus Thomas
"Muita gente disse que Elvis roubou nossa música. Roubou a música do homem negro. Mas o homem negro, o homem branco, não são donos da música. A música pertence ao universo."
Chuck Berry
"Eu não sou o 'pai do rock and roll', eu sou certamente um dente na engrenagem, como meu pai costumava dizer. Outros dentes desta engrenagem são o Fast Domino, Louis Jordan, Fast Waller, Little Richard, Bill Halley e Elvis Presley. Fomos todos, penso eu, um dente na engrenagem. Todos nós fizemos 'a bola rolar'. Descrever Elvis? Ele foi o maior que já existiu, ou que existirá."
Isaac Hayes
"Elvis era um gigante e influenciou todos no business."
Myrna Smith (The Sweet Inspirations)
"Eu sei que não importa a cor que eu fosse, Elvis teria me amado da mesma forma. Ele me tratava como uma princesa! Não havia uma gota de racismo nele."
Estelle Brown
"Elvis não foi apenas outro homem no planeta. Elvis foi enviado para cá. Ele foi um anjo. Todos nós fomos tocados pelo mesmo anjo: Elvis!"
Cissy Houston (cantora e mãe de
Whitney Houston)
"Elvis adorava música gospel negra. Ele foi criado nela. E ele realmente sabia do que estava falando. Ele cantava gospel o tempo todo - quase tudo que ele fazia tinha esse sabor. Você não pode fugir de quais são suas raÃzes."